segunda-feira, 31 de março de 2008

A História de Marianne


Marianne descreve os sentimentos a sensação do dia do término de seu namoro de 1 ano, ela não queria que isso acontecesse, mas como diz o provérbio quando um não quer dois não brigam.



O fim
O dia chegou. Por mais distante que pensei que estivesse ele chegou. Era um sábado, ainda era dia, mas tudo estava sem cor, o medo me deixava triste, a ansiedade me corróia por dentro. Eu sabia a resposta, mas tinha esperança de tudo mudar.
Não sei por que  eu reagi de uma forma estranha. Não consegui chorar, não consegui falar o que gostaria, não consegui demonstrar todo amor que sentia. Talvez não fosse preciso, ele me conhecesse e fizesse também a leitura dos meus olhos.Mas eu gostaria de ter reagido, de ter dito tudo aquilo que a garganta não deixou passar.
Pensei que quando aquele momento se realizasse eu fosse desabar, mas não, eu não chorei, contudo, sentia uma dor no peito tão forte, tão intensa. Fiquei sem reação, sem palavras, sem atitude, sem choro. Então eu consegui pronunciar. “Foi bom, enquanto durou” e o abracei e beijei, ele correspondeu não sei se por pena ou por ainda existir um sentimento lá no fundo.Sei que despedidas desse tipo, em que um ainda quer estar junto e o outro não, geralmente são frias, sem laços afetivos, mas a nossa não, nosso beijo demorou, e pela última vez eu senti o calor dos lábios dele, não sei o que passou em sua cabeça, mas ele ia me beijando como se nada tivesse acontecendo, me beijava tão igual e tão diferente das outras vezes. O beijo acabou. A história acabou. E ele foi embora, eu não tive coragem de acompanhar até a porta, ele me disse um Tchau, meio triste, meio aliviado, não sei. Só sei que quando ele saiu, segundos depois minhas lágrimas brotaram, e chorei como nunca tinha chorado antes.Sentindo muita dor, muita angustia, muita tristeza.
Mesmo com tantas palavras pronunciadas, teste para ver quem perdeu e quem ganhou no jogo do amor, desculpas esfarrapadas, beijos e abraços demorados, mas foi em silêncio que dissemos adeus. Ele partiu e não olhei pra trás. Queria guardar boas lembranças de nossa história, queria que nossos beijos se eternizassem e o olhar pra trás talvez apagasse tudo aquilo que foi eterno enquanto durou, aquele mistura de sentimentos que eu chamo de amor.
Tanto tempo se passou e continuo tão perdida! Tão triste!Tenho seguido minha vida, esperando que ele escute minhas palavras e também meu silêncio, que me responda, que um dia me procure, que não seja tão indiferente.
E você como reage a despedidas?

segunda-feira, 24 de março de 2008

Acabou

Não sei se de forma
Lenta ou rápida tudo foi acabando
As coisas foram se modificando
E nem deu pra perceber
Foi triste como toda despedida
Sofri muito com a partida
Fiquei sem entender
Piedade de quem fica
Raiva de quem se foi
Dor... Muita dor
Tudo mudou tão de repente
Os dias continuaram a passar
Meus olhos foram fechados
Minha voz foi calada
Não pude dizer o que sentia
E vejo dia após dia
O quanto esse amor me faz sofrer
Sinto sua falta
Mas sei que nada posso fazer
pra te trazer de volta
Terei que sorrir mesmo com vontade de chorar
Sempre que possível disfarçar
esse amor que ainda bate em meu peito
Aceitar te ver ao lado de outra
E fingir que é natural
Continuar vivendo
Tentar fugir da solidão
E ir em busca de outro coração

domingo, 16 de março de 2008

Algo em mim mudou



Mudou em meu corpo
Mudou em meu coração
Mudou em minha mente

Descobri que não sei quase nada
Entendi que a vida precisa ser sonhada

Mudou...
Minhas atitudes
Meus sonhos
Meus ideais
Meus medos
Meus segredos


Não acordo mais no mesmo quarto
Não converso com as mesmas pessoas
Não amo mais o mesmo homem
Não ouço as mesmas músicas
Não choro pelos mesmos motivos


Algo em mim mudou
A vida se modificou

Hoje consigo
Perceber tantas diferenças


Meu Deus em que momento me transformei em mulher
Em que momento deixei de ser criança?

Por que mesmo depois de mudar
Ainda não aprendi a lidar com mudanças?

sexta-feira, 14 de março de 2008

14 de março: Dia da poesia

Todos os dias é dia de poesia, há sempre alguém evocando , sentimentos, traçando sobre o papel palavras que tocará no coração de muitos que lêem.




Concordo com Fernando Pessoa quando diz que “o poeta é um fingidor, finge tão completamente, chega a fingir que é dor a dor que deveras sente” E creio também que disfarça a dor que de fato, sente. Resumindo o poeta é um bom ator e de qualquer forma é um grande “sonhador”.
O poeta é interpretado por muitos como um louco que trava um diálogo entre “surdos”, traçam sobre o papel palavras que não fazem sentido.
Mas, o poeta é um verdadeiro sábio que numa noite fria sem brilho e sem luz escreve numa página vazia aquilo que centenas de pessoas sentem. Ele converte em poesia toda uma vida de melancolia, mostra com outras tonalidades uma vida cinzenta.
Será que pra ser um grande poeta é preciso sofrer? Será que o poeta mesmo feliz não consegue entender o sofrimento alheio? O poeta é por natureza sentimentalista, tão sentimental que mente até o que não sente.E não sente que mente.
Tenho tentado escrever minhas poesias para tentar desabafar meus sentimentos, extravasar minhas angústias, libertar a voz que me sufoca, desfazer os nós na garganta. Às vezes me pergunto pra quê se depois volto a sofrer? Será que é pra depois sentir novamente desejo de escrever?
Numa página vazia transformo sentimentos em palavras. Falo também no silêncio, vejo numa cegueira iluminada e ouço a surda inspiração.
Sou muito tímida, mas quando escrevo uma explosão de pensamentos me consome, me liberto de uma prisão de que nem eu sabia ser prisioneira, conheço palavras que não pensei existir.
Às vezes me perco nas palavras, mas depois me descubro, me encontro para de novo me perder. E esse creio eu é o mistério de quem se dispõe a escrever.


Parabéns poeta! Que a inspiração, a sabedoria, estejam presentes nos 365/366 dias do ano.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Tudo mudou...

As coisas costumavam ser mais simples,mais fáceis
O sol costumava brilhar mais forte
A noite costumava ser mais curta
O tempo costumava ser mais colorido
A vida costumava ter mais sentido
Tudo devia ser apenas coincidência
Ou quem sabe, conseqüência
Por estar presente em minha vida
Porque tudo mudou depois de tua despedida

Queria

Queria...
Interpretar teus sinais
Decodificar tuas palavras
Entender teu silêncio
Acreditar em teu olhar
Compreender teus medos
Desvendar teus segredos
Entender porque o teu amor acabou
Desvendar todos esses mistérios
Queria
Corrigir meus erros
Entender se poderia ter dado certo
Te trazer de volta
Reverter esse jogo
Te fazer entender que está errado
Deixar de ser passado
E ser de novo presente
No seu coração e na sua mente


Yeda

domingo, 9 de março de 2008

Palavras




Como descrever o que não se compreende?

Como revelar o que não se sabe?

Palavras...


Como traduzi-las?

Como libertá-las?

Como prendê-las?


Fonemas ... problemas


Orações... Soluções


Palavras... Represas que querem transbordar
Palavras... prisioneiras que querem se libertar
Palavras... sonhos que querem se realizar

Palavras retrato fiel dos sentimentos
Palavras vistas com indiferença
Por aqueles que contraem os ombros
E diz são apenas palavras e nada vai mudar


Palavras pequenas...
Palavras ao vento...
Palavras apenas...
Palavras carregadas de sofrimento
Palavras frias...
Palavras potentes, frágeis
Palavras reais, imaginárias
Palavras de amor, de indiferença
Palavras de fé e de descrença

Palavras... alívio
Palavras... suplício

Palavras procuro em ti uma maneira de aliviar a dor... Dor causada por Palavras
És a culpada e vítima de minhas angústias


Palavras... Faladas e ouvidas
Palavras mal interpretadas
Palavras codificadas


Palavras escuras
Palavras duras
Que foram mal proferidas
E que hoje, faz grande diferença na vida
Se for pra magoar deixe as palavras em um canto e passe a se calar.
O silêncio também diz
E raramente se contradiz.


Leiam as palavras que escrevo
Letras que ficam traçadas
E que talvez não mude nada.
Palavras apenas, palavras pequenas












sábado, 8 de março de 2008

Mulher negra


Hoje, dia 8 de março, dia internacional da mulher, data que ficou registrada na história devido à luta travada pelas operárias por melhores condições de trabalho. Comemoramos hoje todas as conquistas realizadas pelas mulheres, como o direito de votar e de serem votadas, liberdade de expressão etc. Porém, percebemos que há muito ainda a conquistar.
Falar da mulher, sendo mulher parece tarefa fácil, mas não é. Ser mulher não é difícil só porque temos TPM, cólicas, responsabilidades com a casa, com os filhos, e problemas conjugais. È muito mais complexo. Ser mulher numa sociedade em que o homem detém o poder, em que existe discriminação e preconceito não é fácil.
Poderia falar aqui falar sobre diversas mulheres importantes para o mundo e/ou para o Brasil, tenho certeza que teríamos vários nomes para serem lembrados. Contudo, quero falar sobre a mulher negra brasileira. Gostaria de inferir que se ser mulher não é fácil, imagine ser mulher e negra, num país que continua discriminando as minorias.
Recordemos ao passado, aos livros de História mais especificamente, em que a mulher negra brasileira aparece cheia de estereótipos, que enfatizam sua desqualificação social, sua "inferioridade"aparece como a escrava, a cozinheira, a “mãe-preta”, aparece com a imagem do corpo sexualizado.
A situação da mulher negra brasileira na atualidade mostra um prolongamento da época escravocrata. Cabiam a elas as tarefas domésticas e cuidados dos filhos dos senhores de engenho E hoje, estamos distante disso? Quantas mulheres negras, continuam a ser as domésticas, as empregadas,as babás?
Repare, os papéis representados pelas atrizes negras, na maioria das vezes são papéis subservientes, a negra como empregada, prostituta, favelada. Claro, que uma ou outra, fez um papel de protagonista, ou interpretou uma personagem que não fosse empregada, pobre, mas convenhamos num país como o Brasil, em que a população afrodescendente é imensa, isso é ainda muito pouco, ou melhor pouquíssimo.Pesquisas mostram que a mulher negra possui menos nível de escolaridade, trabalha mais, recebe menos, é mais facilmente submetida à condição de pobreza e inferioridade.De fato, percebemos que é constante a discriminação racial na vida dessas mulheres. Entretanto, muitas, buscam estratégias para mostras suas capacidades e competências, para vencer as dificuldades, para superar os estereótipos e preconceitos..
Mesmo com tanto preconceito, é fundamental lembrar que muita coisa tem sido feita, é possível perceber a quantidade de mulheres negras nas universidades, em setores profissionais elitizados. Mulheres negras brasileiras que ingressaram na carreira artística como: Glória Maria, Taís Araújo, Alcione, Isabel Filardis e tantas outras, tem nos mostrado constantemente que a mulher negra tem mais que um corpo escultural, tem mais que bumbum, tem talento, esforço pessoal , capacidade de crescer cada vez mais. E quantas mulheres negras anônimas têm feito o mesmo? Certamente muitas.
Ainda há muito preconceito na sociedade brasileira tanto em relação ao gênero: a mulher, como também com a questão étnica: o negro. Imagine, então, como a mulher negra sofreu e/ou tem sofrido com preconceito étnico e de gênero?
Nós, mulheres independente de nossa cor, lutamos os 365 dia do ano, contra as desigualdades sociais, superação do preconceito, liberdade de expressão . Lutamos por o direito de sermos respeitadas e lutamos também, é claro, pelo direito de amar e sermos amadas.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Eu desisto

Eu desisto
Eu não resisto
mais tanta dor

Eu desisto
já não é
mais possível
lutar pelo teu amor

Eu desisto
já não insisto
em te procurar

Eu desisto
de sofrer com tua ausência
Eu reconheço
minha impotência
para te trazer de volta

Eu desisto
de buscar-te na memória
Eu preciso acreditar
que esse é o ponto final
de nossa história

E é com muita dor
que eu desisto de teu amor

Yeda

quinta-feira, 6 de março de 2008

Num piscar de olhos

O tempo passa tão rápido que num piscar de olhos o presente se converte em passado e o futuro em presente. Um belo dia você percebe que o tempo passou e você nem notou.
De repente, você não brinca mais de boneca, não é mais aquela criança sapeca, não se preocupa com brinquedos e nem tem os mesmos medos. Quer usar salto alto, se maquiar e se preocupa com a moda que irão lançar.
De repente, sua dúvida não é se brinca de boneca ou de amarelinha, sua dúvida é que profissão seguir, ora pensa em ser Psicóloga, Médica, Historiadora, quando menos imagina já está dentro de uma Universidade, e sua dúvida agora é em que área se especializar após o término do curso.
De repente, você troca o creme para cravos e espinhas por um pra rugas.O salto alto por uma rasterinha.
Antes queria fugir de casa toda vez que sua mãe brigava com você. Depois queria fugir e ir pra balada. Hoje tem vontade de fugir de suas responsabilidades, das angústias, fugir dos medos. Mas como outrora, tem coisas que lhe impedem de fugir.
Lembra de sua preocupação em como seria sua festa de 15 anos, não via a hora de fazer 18 pra ser "dona do seu nariz" e agora já está na casa dos 20 e poucos, 30 e poucos. É o tempo passou.
Um dia escrevia poemas em seu diário trancado a sete chaves, hoje gostaria que o mundo lesse o que escreve.
Seus amigos mudaram, você mudou de paixão, de amor, sua família se dispersou e aumentou as saudades. Você complicou o que era fácil e simplificou o que era dificil.
Como diz Mário Quintana "a vida é um dos deveres que trouxemos pra fazer em casa". Quando se ver o tempo já passou.
Quando perceber essa fase atual da tua vida também terá passado como num piscar de olhos.
È na mudança que reside o mistério e a beleza da vida, as coisas mudam e a gente muda com elas....



E você como percebe a mudança em sua vida???

Cansei...


Cansei dessa vida programada

Já sei de tudo

Não sei nada

Em busca de novidades

Vou embora pra " Pásargada"


Cansei dessa vida monótona

Dias normais...

Dias iguais...

Preciso jogar fora o controle remoto da monotonia

Preciso vencer o tédio do dia-a-dia


Cansei dessa vida de desenganos
Preciso traçar outros planos

Cansei dessa vida de melancolia

Só não cansei de escrever minha poesia

quarta-feira, 5 de março de 2008

Contradição

Estou me contradizendo?
Muito bem, estou me contradizendo
(sou enorme , contenho multidões)
Walt Whitman
Sou um ser de contradição
Disse sim quando queria dizer não
Parti com vontade de ficar
Sorri com vontade de chorar
Disfarcei minha dor pra ninguém notar
Escancarei minhas angústias pra alguém me ajudar
Cobri de máscaras o que era natural
Foi no sonho que descobri o que era real
Usei o silêncio quando devia falar
Enfeitei palavras com rancor e orgulho quando o certo era calar
Esqueci quem eu devia esperar
Esperei quem eu devia esquecer
Foi perdendo que aprendi a perder
Revelei meus segredos
Escondi meus medos
Quis apagar da memória
O que estava tatuado em minha história
Fui indiferente com a indiferença
Fiquei ausente na presença
Fui racional no amor
E sofri com a dor
Atei nós no coração
Em meio a tanta gente me senti na solidão
Fui reconhecida
Quando queria ter passado desapercebida
Foi "morrendo" que dei valor a vida
Vivendo descobri que não é tão fácil discernir o certo do errado
O presente do passado
Descobri que ninguém é culpado ou inocente
E que dentro de mim, há um monte de gente
Uma verdadeira multidão
Descobri que não seria quem sou se não fosse um ser de contradição.
E você se sente um ser contaditório?

segunda-feira, 3 de março de 2008

Palavra e silêncio




Palavra e silêncio

Se me desse o direito
de pedir alguma coisa a você

Eu pediria apenas: Ouça minhas palavras

Elas são intensas
São verdadeiras
São reflexos do meu sentimento

Entenda...

Que há muita saudade
Em minhas palavras
Às vezes elas se calam
por medo do teu silêncio

Se me desse o direito
de pedir outra coisa a você

Eu pediria:Ouça meu silêncio

Ele é verdadeiro

É retrato fiel do meu sentimento
Entenda...
Que há muita saudade
Em meu silêncio

Às vezes ele se instala
por medo de tuas palavras

E se conseguir um dia
entender tudo isso
Entenderá que te amo
Quando falo e quando calo

TE AMO SEMPRE!

sábado, 1 de março de 2008

Correndo atrás de mim.




“ Sempre corri atrás de mim
como uma criança
atrás de um balão levado pelo vento
eu era o vento e não sabia” ( Alexandre Brito)










Estou sempre a correr, quem corre, corre atrás de uma coisa, talvez sempre corri atrás de mim, tentando encontrar meu verdadeiro eu, minha verdadeira essência. Nessa corrida eu fui construindo minha vida, bordando minha colcha de retalhos, escrevendo minha própria história.

Nessas corridas passei por tantos lugares, conheci pessoas inesquecíveis, realizei sonhos, idealizei tantos outros, chorei, sorri, persisti, desisti.

Continuo a correr, tecendo o bordado da minha vida. Não sei ao certo se me encontrei, acredito que ainda não, pois quando penso ter encontrado, sinto um desejo de correr e descobrir coisas novas.

È inevitável parar de correr, assim como é inevitável me encontrar um dia. Estarei sempre seguindo em frente. O meu destino é seguir o horizonte, seja lá qual direção for.

Teve momentos que me perdi em meus sentimentos, me atormentei em meus lamentos me afoguei em minhas lágrimas, e me perdi em minhas próprias palavras.

Correndo atrás de mim, eu me releio, me descubro. Permito me ver, como se nunca tivesse me visto antes.